Um sistema de armazenamento de energia em larga escala entrou em operação em Rudong, província de Jiangsu, leste da China. Desenvolvida pela Energy Vault, a estrutura — conhecida como torre de gravidade — oferece 25 megawatts (MW) de potência e capacidade para 100 megawatt-hora (MWh), volume suficiente para fornecer eletricidade contínua por aproximadamente quatro horas em carga máxima.
O mecanismo aproveita um princípio físico simples: em períodos de baixa demanda ou excesso de geração de fontes intermitentes, como solar e eólica, motores elétricos acionam guindastes que erguem blocos de grande massa. Esses blocos, produzidos a partir de rejeitos de mineração e resíduos de construção, armazenam a energia na forma de energia potencial gravitacional. Quando a rede precisa de reforço, os blocos descem de maneira controlada, movimentando geradores e devolvendo eletricidade ao sistema.
De acordo com dados operacionais, o rendimento “ida e volta” supera 80 %, eficiência semelhante à de outras tecnologias de longa duração. A empresa informa ainda que o ciclo de vida ultrapassa 30 anos, com degradação muito inferior à observada em baterias de íons de lítio, que dependem de metais críticos como lítio, cobalto ou níquel.
Toda a operação é automatizada por software que posiciona os blocos, ajusta a velocidade de deslocamento e monitora variáveis como vento e estabilidade estrutural. A solução se assemelha às usinas hidrelétricas reversíveis — que bombeiam água para reservatórios elevados —, mas dispensa condições geográficas específicas e recursos hídricos, podendo ser instalada em áreas industriais ou próximas a centros de consumo.

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A implantação em Rudong integra a estratégia chinesa de expandir a capacidade de armazenamento para sustentar o crescimento das fontes renováveis no país. A Energy Vault planeja repetir o modelo em outras localidades onde o custo de baterias eletroquímicas ou restrições topográficas limitem alternativas convencionais.
Com informações de Casa Vogue