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Superiates atraem grifes do design e mantêm produção global em alta

A indústria mundial de superiates segue aquecida e cada vez mais pautada por nomes de peso do design e da arquitetura. Levantamento Global Order Book (GOB), da revista norte-americana Boat International, aponta que a produção anual saltou de 830 unidades em 2019 para 1.203 em 2023, crescimento aproximado de 45% após a pandemia de covid-19. Para 2026, permanecem em construção 1.093 embarcações, indicando estabilidade no ritmo de encomendas.

O estudo também mostra apetite dos Ultra High Net Worth Individuals (UHNWI) — pessoas com patrimônio líquido acima de US$ 30 milhões — por iates maiores. A média de comprimento das embarcações em 2026 é de 44 m, dimensão capaz de atravessar oceanos e que reforça a tendência de transformar o barco em casa itinerante.

Arquitetos estrelados a bordo

A demanda por personalização fez estaleiros ampliarem parcerias com profissionais de renome. Desde 2018, o arquiteto milanês Piero Lissoni responde pela direção criativa da italiana Sanlorenzo. Entre seus trabalhos está o 44X-Space La La Land, de 44 m, que combina projeto naval do Zuccon International Project a interiores assinados pelo próprio Lissoni. O arquiteto defende “quiet luxury”, com móveis fixados ao piso e vãos amplos voltados ao mar.

Pelo mesmo estaleiro, Patricia Urquiola passou a colaborar em coleções recentes, reforçando o elo entre náutica e design italiano. A Itália, aliás, concentra cerca de 50% da produção global de superiates; Turquia, Países Baixos, Taiwan e Alemanha aparecem na sequência. Reino Unido, Estados Unidos, Emirados Árabes, Polônia e Brasil completam o ranking, segundo o GOB.

Participação brasileira

Único país latino-americano citado na lista, o Brasil conta com a operação da Azimut | Benetti em Itajaí (SC) desde 2010. “Precisávamos de um local com vocação náutica, mão de obra especializada e logística adequada”, afirma Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Brasil. A filial produz barcos de 16 m e 17 m — fora da categoria de superiates — e um modelo nacional de 25 m.

Segundo a Acobar (Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e Seus Implementos), cerca de 4,5 mil embarcações motorizadas de esporte e lazer acima de 5 m foram fabricadas no país em 2025. “Temos capacidade produtiva e demanda contínua”, diz o presidente da entidade, Eduardo Colunna.

No estaleiro catarinense, adaptações climáticas são conduzidas pela designer de interiores Naiara Bogo. “O design vem da Itália, mas trabalhamos com clientes brasileiros na escolha de materiais frescos e adequados ao sol, já que navegamos mais no verão”, explica.

Sustentabilidade em pauta

Fundado em 1986, o estúdio britânico Winch Design aposta em soluções ecológicas. O Flexplorer 146 Nasiba, de 44 m, foi criado com a italiana Cantiere delle Marche e recebeu consultoria da EcoNest Architecture para selecionar insumos naturais, de baixa toxicidade e com reduzidos compostos orgânicos voláteis. No interior, troncos de madeira, parede verde e tecidos de fibras naturais lembram uma residência.

Outra iniciativa é o Solsea, de 43 m, concebido pelo designer suíço Yves Béhar em parceria com a Rossinavi (Viareggio). Equipado com placas fotovoltaicas integradas ao casco, o modelo híbrido combina eletricidade e diesel e consegue realizar viagens curtas apenas com a energia gerada a bordo, além de cruzar oceanos utilizando até 80% dessa produção própria. Apesar dos avanços, a Boat International contabiliza, para 2026, apenas 38 iates híbridos e quatro totalmente elétricos em construção.

Acessibilidade e pesquisa

A arquiteta brasileira Carla Guilhem ganhou destaque ao desenhar os interiores do Lady Lene, de 34 m, para o estaleiro holandês Van der Valk. O proprietário cadeirante exigiu circulação integralmente acessível. O projeto rendeu à profissional o prêmio de melhor design de interiores para iates motorizados acima de 499 GT no Boat International Design & Innovation Awards de 2023.

Guilhem agora atua em modelos Explorer, voltados a longas travessias. Entre eles está o Mission-L, de 63 m, que poderá ser fretado como base de apoio a cientistas em expedições a regiões remotas.

Com produções em alta, designers renomados e avanço gradual de soluções sustentáveis, o segmento de superiates consolida-se como vitrine de inovação, sem abrir mão do conforto e da exclusividade que historicamente movem esse mercado.

Com informações de Casa Vogue

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