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Renovação da Torre Montparnasse mobiliza Renzo Piano e coletivo Nouvelle AOM em Paris

A Torre Montparnasse, arranha-céu de 210 metros inaugurado em 1973 e frequentemente apontado como o edifício mais impopular de Paris, passará por ampla remodelação. O projeto envolve dois núcleos de trabalho: o coletivo francês Nouvelle AOM, responsável pela torre propriamente dita, e o arquiteto italiano Renzo Piano, encarregado de requalificar o centro comercial na base da construção.

Quem faz o quê

Formado pelos escritórios Franklin Azzi Architecture, ChartierDalix Architectes e Hardel Le Bihan Architectes, o Nouvelle AOM venceu o concurso internacional Demain Montparnasse com a proposta de tornar o prédio mais leve e transparente. O plano prevê abertura de terraços ajardinados ao longo da fachada e a criação de um grande jardim no topo, aproximando o edifício da paisagem urbana e de novas formas de ocupação.

Já Renzo Piano, conhecido em Paris desde o Centro Pompidou (1977), assumiu a tarefa de fragmentar a maciça plataforma de concreto que circunda a base da torre. A ideia é integrar a área ao bairro por meio de caminhos para pedestres e uma praça arborizada. A solução surgiu depois que investidores rejeitaram um redesenho mais ambicioso do britânico Richard Rogers, falecido em 2021 e antigo parceiro de Piano na criação do Pompidou.

Custos e cronograma

O orçamento inicial da intervenção é estimado em 700 milhões de euros. A desocupação do edifício e o fechamento ao público estão previstos para o fim de março, etapa que deve abrir caminho para o início das obras.

Resistências locais

O plano já enfrenta oposição. A prefeita do 14º arrondissement, Carine Petit, critica o que considera um projeto excessivamente comercial e com espaço público limitado. Partidos ecologistas também questionam a criação de mais um polo direcionado ao turismo e levantam preocupações sobre as pombas que hoje nidificam na cobertura do centro comercial.

Contexto histórico

Desde a inauguração, a Torre Montparnasse foi alvo de controvérsias por romper a linha horizontal do horizonte parisiense. A reação negativa levou a cidade, anos depois, a restringir novos edifícios altos – regra que só recentemente abriu exceção para a Torre Triangle, em fase final de construção no sudoeste da capital.

Com a reforma, investidores querem resgatar o espírito boêmio de Montparnasse nos anos 1920, quando a região atraía escritores como Ernest Hemingway e James Joyce, ao mesmo tempo em que buscam revitalizar um entorno hoje marcado pela degradação do comércio.

O andamento da obra e a recepção pública ao novo desenho indicarão se a torre, considerada por muitos “a caixa da Torre Eiffel”, conseguirá mudar sua imagem após meio século de rejeição.

Com informações de Casa Vogue

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