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Pesquisa revela novos hábitos e forças no mercado global de colecionadores de arte

Mulheres com maior poder de compra, jovens interessados em artistas emergentes, feiras em alta e redes sociais consolidando vendas. Esses são alguns dos movimentos identificados pelo relatório “The Art Basel and UBS Survey of Global Collecting 2025”, realizado pela Arts Economics em dez países — entre eles Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Suíça e China — com 3.100 colecionadores de alto patrimônio na primeira metade de 2025.

Mais recursos destinados à arte

Segundo o estudo, a fatia média de riqueza direcionada às coleções subiu de 15 % em 2024 para 20 % em 2025. Apesar de uma queda de 12 % nas vendas globais em 2024, que totalizaram US$ 57,5 bilhões, 84 % dos entrevistados mantêm otimismo para os próximos meses; 40 % planejam adquirir mais obras no próximo ano, percentual que alcança 72 % no Brasil.

Onde e como se compra

Galerias e marchands seguem como principal porta de entrada, mas a presença em feiras ganhou força: 58 % dos colecionadores efetuaram compras nesses eventos entre 2024 e 2025, ante 39 % em 2023. O Instagram também se firmou como canal de negociação: 51 % compraram ao menos uma peça pela plataforma sem vê-la presencialmente (41 % em 2023) e 18 % já preferem essa via; no Brasil, porém, a preferência é de apenas 8 %.

Liderança feminina

O levantamento aponta crescimento da participação de mulheres no colecionismo. Entre 2024 e 2025, elas gastaram, em média, 46 % mais que os homens. Além disso, compraram 49 % de obras produzidas por artistas mulheres (contra 40 % do público masculino) e demonstraram maior abertura a novos talentos: 55 % adquiriram trabalhos de criadores ainda pouco conhecidos.

Gerações, formatos e artistas emergentes

O interesse por nomes em ascensão também aumentou: 66 % dos entrevistados compraram obras de artistas recém-descobertos entre 2024 e 2025, avanço de oito pontos percentuais em relação ao ano anterior e salto em comparação aos 43 % de 2022. Por faixa etária, a prática atinge 71 % dos millennials, 63 % da geração Z, 60 % da geração X e 46 % dos boomers.

Entre os mais jovens, as linguagens digitais ganham destaque: 63 % dos colecionadores da geração Z adquiriram ao menos uma obra digital no biênio analisado. Eles também investem com frequência em fotografia, vídeo e peças sobre papel, segmento cujo tíquete médio ficou pouco abaixo de US$ 230 mil.

Legado e destino das coleções

O estudo mostra que 80 % dos colecionadores pretendem transferir suas obras para herdeiros; na geração Z, 90 % dos que já receberam peças preferem mantê-las. Ao mesmo tempo, 25 % planejam fazer doações, reforçando a filantropia cultural.

Profissionais do setor ressaltam a importância de fortalecer museus e programas educativos para absorver parte desse acervo no futuro e atrair novos públicos, além de tornar o colecionismo menos restrito.

Com informações de Casa Vogue

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