Urso de pelúcia no colo, pinguim de pano no assento vizinho ou mesmo uma folha de bananeira dobrada no bolso: cenas assim vêm se multiplicando em aviões e aeroportos mundo afora. Segundo a psicóloga María González, esses objetos, chamados de “objetos de apego” ou “de gestão emocional”, ajudam a regular emoções e a reduzir a ansiedade de passageiros adultos.
Objeto de transição além da infância
O conceito de “objeto transicional” foi descrito em 1953 pelo pediatra e psicanalista Donald Winnicott para explicar como crianças usam itens específicos — normalmente um brinquedo ou cobertor — ao se afastarem das principais figuras de apego. De acordo com González, a função simbólica se mantém na vida adulta, sobretudo entre pessoas com estilo de apego ansioso ou que enfrentam situações consideradas ameaçadoras, como viagens sem companhia, longos deslocamentos ou pernoites em locais desconhecidos.
Por que a pelúcia ajuda
Durante o trajeto, o brinquedo funciona como:
Regulador emocional: diminui a ativação fisiológica gerada pelo estresse do deslocamento.
Vínculo simbólico: relembra o lar, uma pessoa querida ou experiências positivas.
Expressão de identidade: publicar fotos do “companheiro de viagem” nas redes sociais reafirma características como sensibilidade ou nostalgia.
Amuleto pessoal: repetir o gesto de levar sempre o mesmo objeto cria a sensação de controle diante da incerteza.

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Técnicas recomendadas contra o medo de voar
A psicóloga ressalta que, além do apoio emocional oferecido pelo objeto de apego, o acompanhamento profissional pode incluir métodos da terapia cognitivo-comportamental:
• Psicoeducação: entender como a ansiedade se manifesta e quais gatilhos a disparam.
• Respiração diafragmática e relaxamento progressivo de Jacobson: reduzem tensão muscular e frequência cardíaca.
• Exposição in vivo: aproxima gradualmente o passageiro de estímulos relacionados ao voo — fotos de aviões, sons de cabine, simulação em realidade virtual — até o embarque real.
• Diário emocional de viagem: registrar situações, emoções e pensamentos para identificar padrões.
• Autoinstruções de Meichenbaum: repetir frases encorajadoras, como “estou preparada” ou “nada de ruim vai acontecer”.
• Mindfulness: foco no momento presente para reduzir ruminação.
Conforme González, a combinação de técnicas de regulação emocional e uso de objetos de apego permite que passageiros enfrentem melhor a ansiedade gerada por mudanças de rotina, separações e ambientes desconhecidos.
Com informações de Casa Vogue