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Patricia Anastassiadis explica abordagem “arqueológica” na arquitetura e defende projetos conectados à cultura local

São Paulo — Diretora criativa da marca de mobiliário Artefacto desde 2018 e reconhecida por projetos hoteleiros internacionais, a arquiteta Patricia Anastassiadis afirmou que sua forma de projetar “parte do princípio de que a arquitetura existe para abrigar o ser humano”. A declaração foi dada em entrevista na qual a profissional detalhou processos de trabalho, influências familiares e críticas à padronização de edifícios.

Imersão cultural como ponto de partida

Anastassiadis define seu olhar como “arqueológico”. Antes de desenhar, a arquiteta visita o local, pesquisa clima, paisagem, artesanato, arte contemporânea e comportamento da população. Em retrofits, analisa o passado do edifício para conectar épocas. “Não quero reproduzir um cenário de filme, e sim contar um novo capítulo da narrativa”, resumiu.

Hotel em Patmos e raízes gregas

A profissional contou ter reformado o Patmos Aktis, na ilha grega de Patmos, concluído no ano passado. Cliente do hotel havia 13 anos, ela foi convidada a rever o projeto depois de um protótipo “com cara de Berlim”. O trabalho incluiu diálogo com artistas locais e preservação do espírito da ilha.

Novas coleções de mobiliário

Filha de grego ortodoxo e judia polonesa, Patricia lançou em 2024 a linha Psyché para a Artefacto, inspirada na mitologia e na liberdade pós-pandemia. A coleção prioriza leveza, exemplificada pelo sofá Elos, apoiado em apenas dois pontos. Já a coleção Arcanum, apresentada em março, buscou referências em Roma para criar peças sem excessos e focadas em durabilidade.

Crítica à moda e à verticalização

A arquiteta, que cresceu em fábrica de confecção, declarou estar decepcionada com a moda atual, que considera “descartável”. Na mesma linha, criticou o novo Plano Diretor de São Paulo, citando lançamentos de apartamentos minúsculos com metro quadrado a R$ 35 mil junto ao transporte público: “Os bairros estão perdendo identidade; estamos acabando com a escala humana”.

Equipe enxuta e colaborações

O escritório Anastassiadis Arquitetos funciona numa casa das décadas de 1920-30 e mantém equipe reduzida. A sócia Priscila Raffaini Payá trabalha com Patricia há 25 anos e lidera design de interiores. Artur Jorge Lé, há 29 anos na empresa, responde pela administração.

No empreendimento Tempo, na Praia Brava (SC), a equipe de interiores comandada por Patricia dialogou com a arquitetura do escritório britânico Foster + Partners. Segundo a arquiteta, a proposta buscou respeitar a paisagem local e foi endossada pelos britânicos.

Foco em patrimônio

Projetos ligados à preservação cultural animam a profissional. Entre os atuais, destaca-se o retrofit do Hotel Nacional de Brasília, obra modernista de Nauro Jorge Esteves situada no Eixo Monumental e com fachada tombada.

Para Anastassiadis, a criação deve aliar precisão de desenho, escolha de materiais de qualidade e redução de consumo. “Um produto bem feito não vira descarte”, concluiu.

Com informações de Casa Vogue

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