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Morre o arquiteto Eduardo de Almeida, aos 92 anos, em São Paulo

O arquiteto Eduardo Luiz Paulo Riesenkampf de Almeida morreu neste domingo (12), em São Paulo, aos 92 anos. Nome incontornável da arquitetura brasileira, ele construiu uma carreira de mais de seis décadas marcada pela produção de projetos públicos e privados e pela atuação acadêmica na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Nascido na capital paulista em 1933, Almeida formou-se pela FAU-USP em 1960. Durante a graduação, aproximou-se das referências de Frank Lloyd Wright, distanciando-se da vertente corbusiana que predominava entre colegas. Em 1958, ainda aluno, fundou o escritório Horizonte Arquitetura ao lado de Ludovico Martino, Arthur Fajardo Netto, Dácio Ottoni e Henrique Pait.

Entre 1962 e 1967, o arquiteto viveu em Florença, na Itália, onde estudou design e história da arte com bolsa de estudos. O retorno ao Brasil coincidiu com o convite para lecionar na FAU-USP, primeiro em desenho industrial e, a partir de 1972, em projeto de edificações. Concluiu mestrado e doutorado na mesma instituição, orientando dezenas de pesquisas até aposentar-se da docência, em 2000.

Almeida destacou-se pela adoção de estruturas metálicas em residências — recurso ainda incomum no país nas décadas de 1960 e 1970. A experiência foi fortalecida pela colaboração com o arquiteto Sérgio Bernardes, em São Paulo, quando aprofundou o uso de madeira e metal em contraponto ao concreto dominante.

Obra construída

Embora as residências representem a maior parte de seu portfólio, Almeida assinou projetos de escolas, indústrias, hospitais e edifícios corporativos. Entre os trabalhos mais conhecidos estão:

• Edifício Gemini (1970) – São Paulo: bloco residencial modular em concreto moldado in loco, pensado para replicação rápida e de baixo custo.
• Residência José L. Niemeyer dos Santos (1970) – São Paulo: casa organizada em blocos funcionais, com estrutura e lajes aparentes em concreto.
• Casa Oppenheim (1983) – São Paulo: projeto com pátio central e uso de perfis metálicos delicados combinados a alvenaria de tijolo aparente.
• Casa de Dois Blocos (1993) – São Paulo: dois volumes unidos por escada metálica, piscina em raia e coberturas diferenciadas.
• Sede da fazenda em Água Comprida (1997) – Minas Gerais: conjunto que inclui moradias, galpões e escritórios, articulado por pátios internos.
• Casa no Butantã (2002) – São Paulo: residência em estrutura metálica, implantada em único bloco elevado, com grandes aberturas.
• Restaurante Madeleine (2004) – São Paulo: edifício de quatro pavimentos em terreno estreito, marcado por volume curvo avermelhado na fachada.
• Biblioteca Brasiliana (2006–2013) – USP, São Paulo: complexo de mais de 20 mil m² que abriga o acervo de 17 mil títulos doado por José Mindlin, com soluções sustentáveis e painéis perfurados para controle de luz.
• SAP Labs Brazil (2011) – São Leopoldo, RS: centro de pesquisa de 10 mil m² em dois blocos paralelos ligados por pátio ajardinado, certificado Leed Gold.

Ao longo da carreira, Eduardo de Almeida recebeu prêmios do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Bienal Internacional de Arquitetura (BIA) e de entidades do setor da construção civil, sobretudo pelo conjunto de residências.

Estimado por alunos e colegas, o arquiteto manteve colaboração com profissionais mais jovens após encerrar sociedades formais, entre eles César Shundi Iwamizu e Rodrigo Mindlin Loeb, com quem dividiu a autoria de diversos projetos.

Eduardo de Almeida deixa legado reconhecido pela pesquisa formal, rigor construtivo e contribuição à formação de gerações de arquitetos brasileiros.

Com informações de Casa Vogue

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