Novo Airão (AM) – O Mirante do Gavião Amazon Lodge, inaugurado há dez anos às margens do Rio Negro, finalizou um retrofit que reposiciona o empreendimento como vitrine de colaboração entre arquitetura, natureza e saberes locais.
Projeto arquitetônico
Idealizados originalmente pela arquiteta Patricia O’Reilly, os bangalôs em madeira que remetem a cascos de barcos foram modernizados pela paulista Marilia Pellegrini. A intervenção ampliou a claridade interna com bandejas de madeira que refletem luz e luminárias inspiradas em aves, mantendo a penumbra necessária para não afastar a fauna noturna.
Integração com a comunidade
Desde a concepção, o sócio Ruy Carlos Tone defende o lodge como plataforma de desenvolvimento regional. A reforma reforçou a proposta ao incorporar peças produzidas por artisans locais:
- Cabeceiras de arumã da Associação dos Artesãos de Novo Airão;
- Móveis de marchetaria confeccionados pela Fundação Almerinda Malaquias;
- Cestarias de cipó ambé da Associação do Alto Rio Jauaperi.
O processo envolveu viagens a comunidades ribeirinhas, trocas de amostras pelo correio e negociações que, segundo Pellegrini, “respeitaram o ritmo artesanal” da região.
Infraestrutura e experiência do hóspede
As construções ficam elevadas para preservar a permeabilidade do solo e vencer as cheias do Negro. O restaurante Camu-Camu, comandado pela chef Debora Shornik, e uma piscina cercada por mata nativa compõem a oferta de lazer. A maior suíte, de 47 m², exibe luminária Arumã — criada pelo Studio MK27 com indígenas baniuás e moradores de Careiro (AM) — além de poltrona desenhada pela própria Pellegrini para a +55 Design.
Imagem: Ruy Teixeira
Com paisagismo de Clariça Lima, passeios de barco pelo Parque Nacional de Anavilhanas, segundo maior arquipélago fluvial do mundo, completam a imersão que o lodge define como “experiência transformadora”, conectando visitantes, floresta e comunidades amazônicas.
Com informações de Casa Vogue
