Preparar um imóvel para venda ou locação exige decisões que impactam diretamente no tempo de negociação e no valor final. Entre as alternativas mais recorrentes estão o house flipping – comprar, reformar e revender rapidamente – e o home staging, técnica de ambientação voltada a atrair compradores ou inquilinos.
Ferramenta de marketing imobiliário
Para a investidora imobiliária e designer de interiores Laia Moratal, com mais de 35 operações de house flipping e consultoria em mais de 200 projetos, o home staging é “indispensável”. Segundo ela, o método despersonaliza o espaço, destaca pontos fortes e posiciona o anúncio acima da concorrência.
Moratal cita dados de mercado: consumidores levam poucos segundos para aceitar ou rejeitar um anúncio, 95% das decisões são emocionais e elementos visuais são processados 60 mil vezes mais rápido que textos. “Cada detalhe nas fotos precisa provocar efeito ‘uau’”, resume.
Três níveis de intervenção
A especialista classifica as estratégias conforme o estado do imóvel:
- Home staging: indicado para unidades em bom estado ou recém-reformadas. O mobiliário – real ou cenográfico – cria sensação de aconchego e amplitude. Pequenos defeitos, porém, devem ser corrigidos antes do anúncio.
- Banho de loja: minirreforma econômica que inclui pintura, troca de metais, instalação de papel de parede ou substituição de banheira por box. Moratal recomenda a quem pretende alugar, pois o investimento, estimado em torno de R$ 15 mil, é recuperado mais facilmente.
- Reforma completa: reservada a imóveis muito defasados. Cozinha e banheiros recebem prioridade, já que influenciam diretamente a decisão de compra. Em operações de compra–reforma–venda, esse tipo de obra tende a se pagar no preço final.
Decisão baseada em retorno
Moratal aconselha analisar como cada real investido se converte em lucro. Como exemplo, menciona regiões de clima ameno, onde trocar todas as janelas por valores entre R$ 25 mil e R$ 50 mil pode não se justificar. Em contrapartida, pintar azulejos, modernizar torneiras ou aplicar painéis vinílicos costuma oferecer bom retorno.
No quesito decoração, a recomendação é remover itens pessoais, religiosos, políticos ou esportivos e adotar cores neutras. “O comprador precisa imaginar a própria vida ali”, diz.
Imagem: Pedro Ocanhas
Quando combinar técnicas
Na maioria dos casos, a melhor saída é somar reforma – completa ou parcial – ao home staging. Segundo a designer, imóveis atualizados e bem apresentados recebem mais visitas e propostas. “Muitos interessados comentam que vieram porque era o apartamento mais bonito da região”, afirma.
Exceção à regra
Moratal abre mão do mobiliário apenas quando a própria reforma e as características do imóvel já o destacam no mercado. Ela lembra três coberturas com grandes terraços que se venderam rapidamente, sem móveis, pois não havia competição similar nas proximidades.
Com avaliações criteriosas e intervenções pontuais, proprietários e investidores podem acelerar negociações e atingir a faixa de preço mais alta.
Com informações de Casa Vogue
