O funk brasileiro alcançou palcos de grandes festivais, lidera plataformas de streaming e movimenta cifras milionárias, mas ainda encontra barreiras para ser plenamente reconhecido. A constatação aparece em relatos de artistas e especialistas ouvidos pelo portal LeoDias, divulgados em 30 de agosto de 2025.
Mercado aquecido, aceitação parcial
Hoje, produções de funk estão presentes em novelas, campanhas publicitárias e playlists populares. A estética do gênero influencia moda, comportamento e linguagem. Apesar desse alcance, muitos intérpretes dizem ser tratados como intrusos nos espaços que ajudaram a construir.
“Nossa cultura vira produto”
Em entrevista, o rapper Japão Viela critica a seletividade na valorização do movimento: “Muitos dos que investem no trap e no funk são empresários que jamais pisaram num barraco. Usam nossa cultura como produto, mas ignoram nossa história”, declarou.
Apropriação e fetichização
Pesquisadores citados apontam um fenômeno de fetichização da periferia: consome-se a imagem, mas não se compartilha a vivência nem as dificuldades de quem produz o conteúdo. O resultado é uma contradição em que o funk é celebrado como entretenimento, enquanto seu conteúdo segue alvo de censura e seus artistas, de rejeição social.
Risco de padronização
Para o rapper X, líder do grupo Câmbio Negro, a visibilidade conquistada traz também desafios. “Hoje tem espaço, tem visibilidade, mas é preciso cuidado para não cair na mesmice. A indústria gosta de fórmula. Se repetir muito, perde a essência”, afirmou.

Imagem: Internet
Visibilidade sem legitimação completa
Mesmo com números crescentes de visualizações e receita, o cenário de desigualdade persiste. Artistas relatam que preconceitos se atualizam, mantendo antigos estigmas. O funk ganhou projeção, mas ainda disputa legitimidade dentro e fora do mercado cultural.
Com informações de Portal LeoDias