A fotógrafa e documentarista Rosa Gauditano morreu em 7 de agosto, aos 70 anos, após sofrer um infarto. A informação foi confirmada em nota pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado de São Paulo (ARFOC-SP).
Nascida em São Paulo em 1955, Gauditano tornou-se um dos principais nomes do fotojornalismo brasileiro ao longo de cinco décadas de carreira. Desde o início, nos anos 1970 — período marcado pela ditadura militar —, ela dedicou seu trabalho à cobertura de comunidades marginalizadas, movimentos sociais e, sobretudo, povos indígenas.
A fotógrafa passou por veículos como Folha de S.Paulo e Veja. Para esta última, realizou uma série inédita sobre a vida de mulheres lésbicas na capital paulista, com registros em locais como o Ferros Bar e a boate Dinosaurus. Censurado na época, o material só foi exibido ao público décadas depois e ganhou destaque na mais recente Bienal de São Paulo.
Grande parte de sua produção também se concentrou nos povos Xavante, Guarani e Yanomami. Uma das imagens mais conhecidas, captada em 1991, mostra um jovem yanomami com um beija-flor pousado nos lábios — fotografia que se tornou símbolo da sensibilidade de Gauditano para as culturas originárias.
Suas obras integraram exposições no Brasil e no exterior e passaram a compor acervos de instituições como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), Itaú Cultural e Museu da Imagem e do Som (MIS). Em 1985, ela foi uma das fundadoras da agência Fotograma Fotojornalismo e Documentação, iniciativa que fortaleceu o fotojornalismo independente no país.

Imagem: Divulgação via vogue.globo.com
Mesmo nos últimos anos, Rosa Gauditano seguia em atividade, preparando uma mostra retrospectiva que celebraria seus 50 anos de trajetória profissional.
Com informações de Vogue Brasil