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Bloco residencial de Oscar Niemeyer no DCTA, em São José dos Campos, terá demolição iniciada

São José dos Campos (SP) – O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) confirmou a demolição do bloco residencial H22, projetado por Oscar Niemeyer e erguido entre 1956 e 1957 no antigo Centro Técnico da Aeronáutica (CTA). A decisão encerra a história do último conjunto de casas seriadas concebido pelo arquiteto no campus.

Com 27 unidades de 184 m² distribuídas em dois pavimentos – área social no térreo e dormitórios no andar superior –, o edifício foi avaliado pela Força Aérea Brasileira (FAB) como irrecuperável por “fragilização do terreno e perda de capacidade de suporte do solo”. Segundo o DCTA, a estrutura havia sido desocupada para evitar acidentes.

Relatório técnico inviabilizou restauração

Um parecer emitido em 2019 concluiu que a recuperação do prédio não era viável do ponto de vista técnico-econômico quando comparada à construção de uma nova edificação. Em 2023, o Comando da Aeronáutica (COMAER) aprovou oficialmente a demolição.

Especialistas em preservação contestam o laudo. Para eles, os danos resultam de manutenção insuficiente ao longo dos anos, prática que compromete imóveis de valor arquitetônico, cultural e social.

Tombamento federal foi negado

Em 1999, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu processo para tombar o conjunto modernista do CTA, que inclui o H22. O pedido foi indeferido em 2021 pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural sob a justificativa de falta de informações detalhadas sobre os edifícios a serem protegidos. Até o momento, não há solicitação formal para reabrir o processo.

Complexo modernista e legado

O CTA foi concebido após concurso de arquitetura realizado em 1947 e teve projeto vencedor assinado por Niemeyer. Ao todo, foram construídos 16 blocos residenciais, além dos prédios acadêmicos e laboratoriais que originaram o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). As moradias apresentam características marcantes da fase moderna do arquiteto, como fachadas inclinadas, brises e escadas helicoidais.

Treze anos após a morte de Niemeyer, a perda do H22 acende o alerta para a conservação de outras obras modernistas erguidas no país durante o período desenvolvimentista.

Com informações de Casa Vogue

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