A produção de “O Agente Secreto”, filme que disputa quatro estatuetas do Oscar neste domingo (15), investiu em uma minuciosa pesquisa para reconstruir o Brasil da década de 1970. Sob a direção de arte de Thales Junqueira e com a colaboração da decoradora de cena Mariana Kinker, a equipe recorreu a fotografias de época, visitas a museus e referências cinematográficas para ambientar a narrativa protagonizada por Wagner Moura.
Pesquisa começou no acervo de filmes e fotografias
O ponto de partida foi a própria filmografia do diretor Kleber Mendonça Filho. O documentário “Retratos Fantasmas” (2023) ajudou a visualizar o centro do Recife e antigos cinemas de rua. Longas como “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980) e “Iracema: Uma Transa Amazônica” (1974) também serviram de guia visual.
Além do cinema, álbuns particulares coordenados pela figurinista Rita Azevedo ofereceram imagens de casas e festas da época. Muitas dessas fotos foram tiradas no Edifício Ofir, prédio que acabou se tornando cenário das residências de Dona Sebastiana (Tânia Maria), de sua sobrinha Geisa e de Claudia (Hermila Guedes).
A transformação dos apartamentos
Embora a fachada do Edifício Ofir remeta aos anos 1970, seus interiores passaram por reformas contemporâneas e precisaram ser modificados pela equipe. Pisos cenográficos de madeira foram instalados em áreas sociais, corredor e quartos. Na cozinha, azulejos foram reproduzidos após um levantamento em “cemitérios de azulejo” no Recife.
Alguns móveis nasceram do zero, como a mesa de jantar redonda do apartamento de Geisa, inspirada em um modelo vendido pela loja de departamentos Mesbla nas décadas de 1970 e 1980. Peças garimpadas ou reformadas também ganharam espaço, caso das cadeiras de ferro aramado vistas em fotos antigas do edifício e reaproveitadas no set.
Objetos que revelam personagens
A casa de Dona Sebastiana exibe móveis robustos e antigos, contrastados por estampas variadas e um altar de lembranças, reforçando a personalidade irreverente da personagem. No apartamento de Geisa — que não aparece em cena — livros, discos, artesanatos e fotos de família contam sua história de forma indireta.
Imagem: Divulgação
Para inserir a identidade pernambucana, a cenografia incorporou obras dos artistas Bajado (1912 – 1996) e Wellington Virgolino (1929 – 1988), além de cadeiras típicas da região e uma cristaleira de vidro desenhado.
Contraste entre espaços
Enquanto alguns ambientes evidenciam afeto por meio de objetos pessoais — como quadros com fotos de família e panos bordados —, outros exibem uma estética mais fria. O escritório de Henrique Ghirotti (Luciano Chirolli) utiliza móveis de jacarandá, couro preto, acrílico e aço, complementados por itens dourados de tom kitsch, para sublinhar o discurso desenvolvimentista do personagem.
Segundo a equipe, a combinação de pesquisa histórica, peças originais e criações inéditas foi determinante para transportar o público à década de 1970 e, ao mesmo tempo, dar profundidade aos personagens de “O Agente Secreto”.
Com informações de Casa Vogue
