A arquiteta Bianca Vilela concluiu a Casa Buri, residência de 110 m² concebida em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), a partir de uma linguagem que ela define como “greco-baiano”. O conceito, típico da região, combina alvenaria estrutural com elementos artesanais locais e paredes em tons claros, finalizadas com o reboco baiano — argamassa aplicada manualmente que deixa a superfície propositalmente irregular e porosa.
Para Vilela, o uso da técnica representa um esforço de preservação cultural. A paleta terrosa da casa foi inspirada na lama utilizada pela arquiteta em sua marca de cerâmica, a Lamacota.
Mão de obra e referências locais
Todo o processo de construção contou com artesãos de Trancoso, desde a marcenaria até a produção de cerâmicas. A decisão foi influenciada pelo escultor e ceramista Calá, morador da região há mais de quatro décadas, cuja trajetória norteou o caráter artesanal do projeto.
Geometria orgânica nos ambientes
A casa apresenta rodapés abaulados, luminárias alongadas e estante de concreto com nichos curvos inspirados nos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) projetados por Oscar Niemeyer. Esquadrias e itens decorativos foram garimpados no interior da Bahia, enquanto obras de arte únicas completam o conjunto.
Implantação preserva vegetação nativa
Situada em um terreno de cerca de 4 000 m², a residência foi disposta em formato de “L” para evitar desmatamento e adaptar-se à topografia existente. O programa inclui uma suíte ampla com paredes e piso rosados, sala e cozinha integradas, área externa para jantar e terraço posicionado para o pôr do sol entre as árvores.
Espaços ao ar livre
Do lado de fora, a propriedade abriga jardim nativo, horta orgânica, galinheiro, fogueira e um ofurô instalado em meio à mata, todos acompanhados por peças produzidas por artesãos locais.
Imagem: Bruno Pinheiro
Origem do nome
O nome Casa Buri refere-se ao buriti, palmeira típica do cerrado goiano — estado natal da arquiteta —, à palmeira-buri-de-praia encontrada no terreno e ao peixe “buri”, conhecido no Japão como olho-de-boi, representado em maçanetas e cerâmicas distribuídas pela morada.
Segundo Bianca Vilela, o projeto marcou uma fase de transição pessoal e profissional, acompanhando cada etapa da obra.
Com informações de Casa Vogue
