A arquitetura renascentista, surgida no século XV em Florença, na Itália, consolidou-se como um dos principais marcos da história das artes ao resgatar princípios da Grécia e da Roma antigas. O estilo se distingue pela simetria, pelos arcos arredondados, pelas cúpulas monumentais e pelo uso de colunas dóricas, jônicas e coríntias.
Como o movimento começou
No contexto do Renascimento cultural europeu, artistas e estudiosos redescobriram textos clássicos e aplicaram novos conhecimentos de ciência, matemática e arte às construções. Nomes como Filippo Brunelleschi, Leon Battista Alberti e Donato Bramante lideraram esse retorno às proporções humanas e à racionalidade, em contraste com a verticalidade dramática da arquitetura gótica.
Principais características externas e internas
Elementos externos: colunas e pilastras clássicas, cúpulas centrais, pedra rústica, janelas e portas em arco, loggias cobertas e rigorosa simetria.
Elementos internos: plantas simétricas, tetos abobadados, afrescos em paredes e forros, grandes vãos envidraçados em arco, pisos de mármore ou pedras coloridas e trabalhos detalhados em estuque.
Edifícios emblemáticos
Basílica de São Pedro (Cidade do Vaticano) – iniciada em 1506 e concluída em 1626, contou com projetos de Bramante, Michelangelo, Rafael e Gian Lorenzo Bernini. A cúpula desenhada por Michelangelo tornou-se símbolo do horizonte de Roma.
Catedral de Santa Maria del Fiore (Florença) – conhecida como Duomo, recebeu entre 1418 e 1436 a cúpula idealizada por Brunelleschi, construída em concha dupla e sem andaimes, ainda considerada a maior cúpula de tijolos do mundo.
Palazzo Medici (Florença) – projeto de Michelozzo concluído em 1484 para a família Médici, combina base de pedra rústica, janelas em arco e pátio interno, servindo de modelo para residências renascentistas em toda a Europa.
Arquitetos de destaque
Filippo Brunelleschi (1377–1446) – introduziu a perspectiva linear e aplicou métodos clássicos para resolver desafios de engenharia, como na cúpula do Duomo de Florença.
Leon Battista Alberti (1404–1472) – autor do tratado De re aedificatoria, defendeu harmonia e proporções matemáticas em projetos como a fachada de Santa Maria Novella e o Palazzo Rucellai.

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Michelangelo (1475–1564) – redesenhou a cúpula da Basílica de São Pedro e concebeu a Biblioteca Laurenciana em Florença.
Donato Bramante (1444–1514) – assinou o Tempietto de San Pietro in Montorio e o plano inicial da nova Basílica de São Pedro.
Andrea Palladio (1508–1580) – autor de Os Quatro Livros da Arquitetura, projetou vilas como a Villa Rotonda e influenciou o Palladianismo, base para o Neoclassicismo e o Georgian no século XVIII.
Legado e influência contemporânea
A retomada da simetria, da proporção e das cúpulas durante o Renascimento lançou fundamentos para estilos posteriores, como o Barroco e o Neoclassicismo. Elementos renascentistas aparecem ainda hoje em bancos, edifícios cívicos, prédios comerciais e residências que adotam colunatas, pórticos e janelas em arco. Especialistas destacam que a ênfase na escala humana e na luz natural permanece central no design contemporâneo.
Ao unir arte, ciência e matemática, a arquitetura renascentista estabeleceu padrões que continuam a orientar projetos ao redor do mundo, do Capitólio dos Estados Unidos a residências neoclássicas da Costa Leste norte-americana.
Com informações de Casa Vogue