Resgatar a identidade brasileira na decoração vai além de eleger cores vibrantes ou materiais típicos. Os arquitetos Luís Guedes e Pablo do Vale, sócios do escritório Guá Arquitetura e integrantes da lista Casa Vogue 50, defendem uma abordagem que privilegia pesquisa, valorização de artesãos locais e respeito à ancestralidade.
Pesquisa como ponto de partida
Para a dupla, conhecer quem produz na região é o primeiro passo. “O Brasil são vários Brasis”, lembra Guedes, ao sugerir visitas a feiras, galerias e perfis em redes sociais para identificar artistas, designers e artesãos. O mesmo princípio vale para materiais: o miriti, palmeira amazônica usada tradicionalmente em brinquedos no Pará, hoje é testado pelo escritório como matéria-prima para móveis, papel e texturas de parede.
Incentivo à produção nacional
Além de nomes consagrados, Guedes e Vale reforçam a importância de apoiar mestres populares. Peças como as cerâmicas de Mestre Cardoso e Levy Cardoso, fotografias de Luiz Braga e telas de Emmanuel Nassar compõem um dos projetos do escritório, ao lado de arte do povo palicur. “Esses saberes potentes não estão no mainstream; estão nas pessoas que resistem”, aponta Guedes.
Conexão com a ancestralidade
Olhar para o passado também faz parte do processo. Os arquitetos citam os ceramistas da Ilha de Marajó, no Pará, que preservam técnicas pré-colombianas transmitidas oralmente. “Quando compreendemos como o passado impacta o presente, honramos nossas raízes”, observam.
Espaço para ousar
Segundo a dupla, o receio de que elementos brasileiros pareçam caricatos ainda limita muitos projetos. “Muitas vezes, o que chamam de caricato é apenas original”, afirmam. Em um de seus quartos, esculturas da Caroço Arte, obras do abridor de letras Biduia, ilustrações da Kambô Art e fotos de Mauricio Adinolfi dividem espaço com almofadas da marca paraense Ygarapé, demonstrando que a combinação de referências diversas pode resultar em ambientes autênticos.
Imagem: Filippo Bamberghi
Para Guedes e Vale, abraçar a pluralidade cultural brasileira é um ato de resistência e, ao mesmo tempo, de renovação estética. Conhecer quem produz, entender os materiais locais e não temer a originalidade são, segundo eles, os principais caminhos para inserir brasilidade na decoração sem cair em estereótipos.
Com informações de Casa Vogue
