Uma residência rural construída em 1921, na cidade de Morrinhos, interior de Goiás, voltou a receber a família Jesuíno de Sousa após um processo de restauração conduzido pelo arquiteto e artista plástico Leo Romano. A casa, erguida originalmente por Beraldino Jesuíno de Sousa e fechada durante duas décadas, foi recuperada oito anos atrás a pedido de Vasco Jesuíno de Sousa, pai de Romano.
Da construção ao abandono
O imóvel, cercado por antigos cafezais, foi cenário da infância de três gerações. Após funcionar como refúgio de férias para os cinco filhos de Vasco, a propriedade permaneceu sem uso por 20 anos, até que o patriarca reuniu a família e propôs a reforma. Leo aceitou a tarefa de revitalizar o espaço de 270 m².
Detalhes da reforma
Durante a obra, o arquiteto manteve o piso original de peroba, o telhado e as janelas coloniais. O projeto preservou o fogão de cimento queimado, pintado de amarelo, como símbolo das lembranças da infância. Anexos que serviam à produção de café e pilão foram adaptados para acomodar hóspedes.
A fachada recebeu pintura em azul e branco, seguindo a arquitetura colonial goiana. Internamente, o casarão ganhou peças de design brasileiro, como poltronas Millôr de Sergio Rodrigues, cadeiras Bossa de Jader Almeida e criações do próprio Leo, além de tapetes trazidos da Índia e da Turquia.
Vida na fazenda
Nos fins de semana, Leo e o marido, o arquiteto Marcelo José Trento Costa, dividem-se entre a cozinha — onde preparam refeições no piso de cimento queimado amarelo — e os espaços externos, que abrigam piscina de água natural, varanda com cadeiras Adirondack e uma antiga garagem transformada em capela.
A propriedade mantém um pequeno plantel de animais. O arquiteto não permite a venda de vacas nem o abate de galinhas exóticas, além de criar pavões, perus, cães, cavalos e o ganso João, que atende pelo nome. Revoadas de araras costumam colorir o entardecer da região, que, apesar de desmatada, integra um cinturão verde rico em recursos hídricos.
Imagem: Filippo Bamberghi
Tradição familiar
Pouco antes de falecer, Vasco visitou a fazenda reformada e perguntou ao filho se o avô imaginaria vê-la novamente em boas condições. Desde então, a casa se tornou ponto de encontro para festas juninas que coincidem com a data de aniversário de Vasco.
Para Leo, cada retorno a Morrinhos reforça o desejo de permanecer mais tempo no local e manter viva a memória familiar.
Com informações de Casa Vogue
