Um apartamento em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, foi totalmente concebido para que quadros e molduras ditassem a linguagem dos ambientes. O trabalho leva a assinatura do arquiteto Gabriel Figueiredo e do designer de interiores Fabricio Frezza, do escritório Frezza & Figueiredo.
Com fachada voltada para as copas de uma praça — vista rara em área urbana —, a residência exibe galerias de arte em todos os cômodos. Sobre painéis escuros de sucupira, obras de diferentes dimensões organizam-se em composições rigorosas que mantêm a unidade visual.
Acervo construído ao longo de anos
As peças foram garimpadas em antiquários, feiras, leilões e viagens. Entre os destaques estão a fotografia “Tesão no Forró do Mario Zan” (1977), da fotojornalista Nair Benedicto, e a pintura “Natureza-morta Com Moringa, Jarra e Castiçal” (1973), de Arnaldo Barbosa. Trabalhos de Eleonore Koch e Mariannita Luzzati também aparecem nas paredes.
Integração e vistas para a praça
A varanda envolve a área social, abrindo-se para sala, jantar e cozinha. Neste ambiente, laca nocciola — tom próximo ao chocolate — e azulejos de estilo retrô criam clima europeu, conectado à mesa de jantar por uma bancada contínua de quartzito dolomita gold.
Onde funcionava a antiga sala de TV, surgiu um espaço gourmet com cozinha própria e capacidade para até oito pessoas, voltado para refeições mais reservadas, sempre com a paisagem da praça emoldurando a cena.
Mobiliário de design brasileiro
A curadoria de móveis reúne cadeiras de John Grass, poltronas de Aristeu Pires, banco Mocho de Sergio Rodrigues, mesa de Pedro Useche e mesa lateral Cubo de Jorge Zalszupin. O sofá Cozy, criação de Baba Vacaro, organiza a sala principal. Peças de arte sacra complementam o repertório.
Imagem: Carolina Mossin
Materiais repetidos em todos os cômodos
No quarto, a mesma paleta terrosa e as texturas do estar aparecem em painéis e cabeceiras. Já o lavabo recebeu papel de parede estampado, que funciona como fundo para novas telas. Iluminação pontual, a exemplo do abajur Mandacaru assinado por Cris Bertolucci, destaca cada obra.
Ao final, o apartamento evidencia que, mais do que decorar, as paredes podem narrar a trajetória de seus moradores por meio da arte.
Com informações de Casa Vogue
