São Paulo – A chamada “Economia Climatérica” ganha força no Brasil e no exterior ao concentrar produtos e serviços voltados para mulheres que atravessam o climatério e a menopausa. O termo foi destacado por Cléa Klouri, sócia e cofundadora do hub de pesquisa Data8, em entrevista à Vogue, e descreve um mercado com alto potencial de crescimento à medida que a população feminina envelhece.
Por que agora
Até a década de 1960, a expectativa de vida das brasileiras era de 56 anos; hoje ultrapassa 80. Com isso, cerca de um terço da vida das mulheres passa a ocorrer depois dos 50 anos, justamente o período em que surgem os sintomas da menopausa. A urgência por soluções específicas e o debate ampliado nas redes sociais estimulam marcas, empreendedoras e científicas a desenvolver itens para bem-estar, sexualidade, energia, saúde mental e cuidados com a pele.
Mudança no consumo
O novo estudo “Brasil Prateado”, da Data8, analisa o impacto do climatério no comportamento de compra. Segundo Oxford Economics, consumidores com mais de 50 anos devem liderar o crescimento econômico global nos próximos anos, influenciando familiares e comunidades. Apesar disso, Klouri observa que a presença de mulheres maduras em equipes de marketing e inovação ainda é pequena, o que pode perpetuar estereótipos.
Exemplos internacionais
Nos Estados Unidos e na Europa, a oferta já inclui academias e spas com programas específicos, wearables como o Embr Wave 2 — que alivia ondas de calor pelo pulso —, e dispositivos Issviva x Joylux para aumentar colágeno e lubrificação vaginal. A femtech irlandesa responsável pelo adesivo Peri, aplicado no abdômen para monitorar sintomas da perimenopausa, já registra lista de espera. Há ainda linhas de skincare (Stripes Beauty, Evolve Organic Beauty) e suplementos voltados ao bem-estar sexual, caso da parceria Respin, de Halle Berry, com a Joylux.
Movimento no Brasil
No mercado nacional, o segmento de beleza foi o primeiro a reagir, com linhas como Neovadiol (Vichy/L’Oréal), Botik Resveratrol+Silício (Boticário) e Chronos Derma 60+ (Natura). Outras frentes começam a surgir:

Imagem: vogue via vogue.globo.com
- Bem-estar e suplementos: Re-age, de Silvia Ruiz, lançou Meno Balance e Meno Energy; Camila Faus e Fernanda Guerreiro, do She_Talks, criaram o Meno 40+.
- Autocuidado íntimo: Kunda Care oferece linhas para banho, bem-estar e suplementos; Feel investe em fórmulas para combater ressecamento vulvar.
- Dermocosméticos: Adcos apresenta Golden Care com fito-hormônios; Ellementti desenvolveu a linha PhytoHormon com ativos de ação estrogênio-like.
- Moda: a têxtil Rosset produz o tecido Refresh, que promete conforto térmico e redução das ondas de calor.
Com o envelhecimento acelerado da população — projeções indicam que, até 2044, pessoas acima de 65 anos representarão 40% do total de brasileiros —, especialistas apontam que empresas que resistirem a abordar o tema podem perder espaço em um mercado em expansão.
Com informações de Vogue Brasil