A 15ª edição da DW! Semana de Design de São Paulo, a mais longa desde a criação do festival, espalhou mais de 100 atividades pela capital paulista, entre mostras, instalações, lançamentos e encontros profissionais. A programação, distribuída por diversos bairros, evidenciou a força cultural e social do design brasileiro.
Exposições que celebram a produção local
Na sede da plataforma Boobam, em Pinheiros, a mostra Casa Brasileira reuniu criações de 15 designers e estúdios. No espaço, uma mesa de Vinicius Siega, poltronas da Mezas e tapete da Dada dividiram o mesmo cenário, sugerindo novas combinações cromáticas.
Na Galeria Metrópole, o evento Dentro de Casa, idealizado por Daniel Virginio e Natália Martucci, ocupou um pavimento fechado havia 25 anos. Peças de mais de 30 designers compuseram ambientes domésticos, ilustrando a presença do design no cotidiano.
Materiais reaproveitados e colaborações inéditas
A coleção Retalhos, assinada por Mauricio Arruda, Søren Hallberg e Victor Huggo Xavier (Assimply Studio) em parceria com Rafael de Oliveira (Retropy), transformou sobras de mármore e granilite em tampos circulares com padrões gráficos. Fragmentos de Verde Guatemala, Travertino Vermelho e Alicante Rosso ganharam novos contornos, sustentados por bases de alumínio polido.
Design, bem-estar e inovação
Inaugurada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a Casa Docol abriga o Kur Wellness São Paulo, primeira unidade da marca fora de Gramado (RS). Projetado pelo escritório AR Arquitetos, o espaço convida o público a testar saunas, banheiras terapêuticas, sistemas de hidromassagem e cromoterapia.
No mesmo endereço, o showroom da Breton apresentou a coleção Círculos, que celebra dez anos do selo socioambiental EcoBreton. Entre as novidades estão a poltrona Lúmen, de Victor Vasconcelos, o sofá Tuju, de Luisa Moysés, e a poltrona Tori, de Bruno Niz.
Provocações sobre uso dos ambientes
Na Roca São Paulo Gallery, o designer holandês Marcel Wanders apresentou a instalação A Design Journey, baseada na linha The New Classic, da Laufen. O projeto sugeriu a banheira como peça de estar, incentivando reflexões sobre as fronteiras entre áreas íntimas e sociais.
Memória arquitetônica em evidência
Um apartamento de 1962, localizado no edifício da Galeria Vila Nova, na Vila Nova Conceição, abriu as portas para visitas guiadas. A organização foi do fotógrafo Beto Riginik; a curadoria, da galeria carioca Gozto, liderada por Sergio Zobaran, com direção criativa de João Victor Lioi.
Imagem: Filippo Bamberghi
Ancestralidade e criação coletiva
Na Praça da República, a mostra Raízes em Permanência – Ancestralidade como Futuro Coletivo, com curadoria da Casa Reina (projeto da arquiteta Michele Wharton), reuniu mais de 25 artistas afro-latinos e indígenas, cruzando arte, mobiliário e moda.
Ateliês e trajetórias pessoais
No oitavo andar do edifício Gibraltar, projeto modernista de Oswaldo Bratke, a designer e artista Leticia Txa abriu seu estúdio ao público. Entre pinturas, serigrafias e risografias, o visitante pôde acompanhar processos que combinam rigor geométrico e produção manual.
Design como arquivo vivo
A instalação Casa Alma Brasileira, idealizada pelo arquiteto e pesquisador Gabriel Fernandes para a Feira na Rosenbaum, conectou diferentes épocas do design nacional. Peças de Sergio Rodrigues, Lina Bo Bardi e Estúdio Campana dialogaram com trabalhos de novos talentos, evidenciando a continuidade da produção autoral no país.
Com programações espalhadas por toda a cidade, a 15ª DW! reafirmou seu papel como vitrine e fórum de debates sobre o design contemporâneo no Brasil.
Com informações de Casa Vogue
