São Paulo – O estilista italiano Valentino Garavani, um dos nomes mais influentes da moda do século XX, morreu na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, aos 93 anos.
Trajetória na alta-costura
Nascido em Voghera, no norte da Itália, Garavani mudou-se para Paris aos 17 anos, onde estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture. Trabalhou nos ateliês de Balenciaga, Jean Dessès e Guy Laroche antes de apresentar sua primeira coleção italiana na Sala Bianca do Palazzo Pitti, em Florença.
Em 1967, a jornalista Eugenia Sheppard, do International Herald Tribune, comparou o criador a “uma Rolls-Royce da moda”, destacando a elegância de seus cortes e a competitividade com grifes parisienses como Dior e Balenciaga. Seu tom exclusivo, o “Valentino Rosso”, tornou-se assinatura da marca.
Legado e clientes célebres
Ao longo da carreira, Garavani vestiu personalidades como Monica Vitti, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn e Jackie Kennedy – esta última escolheu um modelo da casa para o casamento com Aristóteles Onassis. O estilista também lançou linhas de jeans em 1979 e óculos, entre eles o modelo “Oliver”.
Garavani se afastou da direção criativa da grife em 2007, aos 75 anos. No documentário “Valentino: O Último Imperador”, lançado em comemoração aos 45 anos de carreira, ele resume sua trajetória: “Realizei o sonho de uma vida inteira: criar roupas para mulheres”.
Parceria com Giancarlo Giammetti
Os bastidores empresariais ficaram a cargo de Giancarlo Giammetti, sócio e companheiro de longa data. A dupla dividiu responsabilidades à semelhança de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, unindo talento criativo e gestão.
Paixão pela arquitetura de interiores
Obcecado pela estética em todas as formas, o estilista costumava afirmar: “Se eu não tivesse me tornado estilista, teria sido designer de interiores”. Entre as propriedades decoradas por ele estão a Villa Appia Antica, em Roma (adquirida em 1972); o Château de Wideville, do século XVI, em Davron, na França (comprado em 1995); uma mansão vitoriana em Holland Park, Londres; um apartamento em Nova York; um chalé em Gstaad, Suíça; e um iate. O criador chegou a colocar à venda a Villa La Vagnola, em Cetona, por 12 milhões de euros.
Imagem: Getty s
As residências foram projetadas com colaboração de nomes como Renzo Mongiardino e Henri Samuel, combinando referências clássicas europeias a elementos asiáticos e cenográficos.
Marca sob nova gestão
Desde 2012, a grife Valentino pertence ao fundo catariano Mayhoola for Investments e tem direção criativa de Pierpaolo Piccioli.
Detalhes sobre cerimônia de despedida e a causa da morte não foram divulgados até o momento.
Com informações de Casa Vogue
